Diário de bordo de São Paulo - Quinto dia

01 agosto 2011


Bendito seja John Williams e a sua Marcha Imperial, porque só assim pra gente conseguir acordar cedo, mesmo. Segunda-feira seria o dia mais cheio de toda a viagem, caso saísse conforme o planejado. E, incrivelmente, deu tudo certo. Conseguimos percorrer todo o centro de São Paulo praticamente em uma tarde, gente. Só ficou faltando um pulo decente na Liberdade.

Nosso ponto de partida foi o Brás, vizinho da região central e reduto daqueles que curtem garimpar em lojas de visual meio duvidoso. A manhã que passei lá foi o prelúdio do resto do meu dia: gastei praticamente tudo o que tinha economizado no final de semana. Minha primeira compra foi feita em questão de minutos: bati os olhos numa blusa com estampa de gatinhos, achei adorável, verifiquei o preço, procurei por uma do meu tamanho e abraços. Mesma coisa com o cachecol absolutamente fantástico que encontrei um pouco antes de ir embora.

Contas bancárias um tanto mais magrinhas, tomamos um ônibus e fomos para o centro. É importante ressaltar que nesse ponto da viagem eu já estava tão afeiçoada ao metrô paulistano que foi ainda mais penoso que o normal pegar um ônibus. Começamos o nosso tour pelo mercado municipal, famoso pelos seus sanduíches de pão com mortadela. Foi onde almoçamos, aliás, mas eu nem me arrisquei a experimentar o "prato típico", não. Vocês já viram o tamanho daqueles sanduíches?

Depois do almoço o que fizemos foi dar uma pequena caminhada, com direito a subida de ladeira e tudo. Dynha e Gabi mal se agüentavam, haha. Nosso destino era o prédio do Banespa, inaugurado em 1947 e, atualmente, o terceiro mais alto da cidade. Lá de cima o que se vê é o mar de concreto que é São Paulo se estendendo até o horizonte, além de ser possível visualizar outras construções importantes do próprio centro sob outro ângulo, como o Mosteiro de São Bento e a Catedral da Sé. Lindo.

O Mosteiro, aliás, foi nossa próxima – e relativamente rápida – parada. Enquanto as meninas rezavam, eu tentava decidir em que parte da arquitetura do prédio deveria prestar atenção. Informação demais em um lugar só, haha. Mas muito bonito. As fotos que fiz lá também estão entre as minhas preferidas da viagem.

Uma das minhas “frustrações fotográficas”, por outro lado, estava logo adiante: o Teatro Municipal. Eu simplesmente babei naquele prédio – muito mais bonito que o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, preciso admitir -, mas não havia modo na máquina fotográfica da Dynha que liquidasse o maldito sol que teimava em ofuscar o primeiro plano das fotos. O interior do teatro também ficou para uma próxima visita: ele não abre para visitações às segundas-feiras, pessoas, então tenham isso em mente quando forem montar seus roteiros de viagem.

Nossa pausa de prédios históricos foi na Galeria do Rock, onde dei vazão ao segundo momento consumista do dia: comprei uma camiseta dos Scorpions pra mim (... é, sou dessas) e uma whiskeira do Pink Floyd pro namorado. Teria comprado uma camisetinha do Queen, também, mas nem lá consegui encontrar alguma que fosse do meu agrado. Ainda bem, eu acho. Meu orçamento já não estava dos mais bonitos.

O sol começava a se pôr quando chegamos no Largo São Francisco, onde fica a Faculdade de Direito da USP. Gabi, como boa amante do prédio da Faculdade, nos mostrou a parte interna dele cômodo a cômodo, praticamente. Lá tive pequenos surtos de historiadora: há uma sala onde ficam expostos alguns documentos e objetos bem interessantes, como o diploma de Ruy Barbosa e um retrato da primeira mulher a se formar em direito pela São Francisco, bem no comecinho do século XX.

O último ponto a ser visitado no centro foi a Catedral da Sé. No caminho até lá pudemos ver o solar da Marquesa de Santos, que é, na minha opinião, uma das construções mais bem-conservadas da região. Já a Sé superou as minhas expectativas: achei o interior dela muito parecido com o da Catedral de Petrópolis – que é absurdamente bonito.

Mas ponto alto da visita à Sé não foi a igreja em si. Ah, não, senhores. Absolutamente não. Imaginem a seguinte cena: sua amiga vai lá e se ajoelha pra rezar, juntando as mãos e fechando os olhos, exatamente como manda o figurino. Bem bonitinha. Não dá nem dez segundos e o celular dela começa a tocar.

O toque é Judas, da Lady Gaga.

Providência divina?

10 comentários

  1. HAHAHAHHAAHAH awesome! Nossa, esse post me fez ver o quanto eu perdi em São Paulo por simplesmente NÃO SABER que as coisas tinham valor histórico... Preciso ir de novo ^^

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  2. E olha que eu tou sendo sucinta, Pam. Cada lugar merecia um post próprio, mas se eu fosse fazer isso só ia terminar um dia antes de embarcar pra Londres, HAHAHA.

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  3. Eu ia dexar pra ler e comentar outro dia, mas ae eu lembrei q foi nesse dia que fomos na catedral da Sé e fiquei me perguntando... será q a My vai postar o que eu penso q vai?

    Dito e feito. To eu lá bonitinha como manda o figurino, agradecendo a Deus as maravilhosas amigas que estavam comigo e pedindo pra ele continuar me ajudando a superar meus problemas e meu celular começa a tocar... já seria incomodo aquele silêncio e um celular tocando, imagina um celular tocando, DENTRO da catedral da Sé, tocando JUDAS da Lady Gaga? Foi tenso... huahuahauhu. Tive q parar minha oração, desligar o danado e pedir perdão a Deus por isso!

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  4. HAHAHAHA, foi um dos momentos mais geniais da viagem, Dy! Nem tinha como ser excluído dos posts.

    E eu tenho certeza que ele perdoou. :*

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  5. Noooossa, ri demais com Judas HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUHUAAHUHUAA
    Ai, só de imaginar a cena... UHAHUAHUAHUA

    Gente, vocês viram muita coisa! =O
    Eu levei um dia pra fazer cada um dos passeios... E na verdade só fiz metade do que vocês fizeram! HUAHUAHUA
    Preciso andar com historiadoras por aí pra perceber a beleza das coisas! Como disse a maddy, como a gente perde por simplesmente NÃO SABER que as coisas têm tanto valor histórico! =/ huahauua

    *-*

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  6. Eu tou me tornando uma pessoa muito... gulosa quando vou viajar! HAHAHA. Quero ver tudo que meto no roteiro e quero seguir o roteiro de qualquer jeito. Mas não dá. Tem dias que são mais felizes que os outros.

    O mais engraçado é que eu sou uma historiadora muito contida, Gabizinha. É bem raro eu ir lá e dar um discurso sobre o valor histórico de alguma coisa. Tem mais a ver com sentimentos, sabe? E com tudo que já vi nos três anos de faculdade. Bem pessoal, mesmo.

    :*

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  7. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk tive que rir com o toque de celular

    Poxa, eu acho que voltar de uma viagem sem compras, é meio chato, rs. Vc fez certo.

    :)

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  8. Também acho, Ju. HAHAHA. Mas eu tava com o dinheiro meio contado, então tive que segurar a onda.

    :*

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  9. Ai, se eu tivesse tempo suficiente para visitar tudo isso! Mas uma coisa já me anima bastante: o hotel no qual irei me hospedar fica ao lado da Galeria do Rock! Vou perder muito tempo lá ou dá pra fazer uma visita breve? rs.

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    1. Acho que em menos de duas horas tu consegue ver tudo o que tem de bom por lá. :P

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