Intercâmbio nos Estados Unidos: a experiência da Fernanda

24 novembro 2012


Mais uma experiência de intercâmbio nos Estados Unidos! Dessa vez, vamos saber um pouco sobre como é fazer a high school por lá. Quem vai contar pra gente é a Fernanda Pasqualeto, que tem 21 anos e mora em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Hoje em dia a Fernanda estuda Propaganda e Marketing e trabalha como arte finalista em uma gráfica. Vocês podem encontra-la no Facebook, no Twitter e no Tumblr.

Sei que fazer um intercâmbio exatamente igual ao dela é o sonho de muitos de vocês, então aproveitem para tirar todas as dúvidas nos comentários. Como sempre, vou tentar mediar o contato entre os leitores e a entrevistada. E se você já passou por uma experiência semelhante à da Fernanda, sinta-se mais do que convidado para relatar suas aventuras aqui no blog! É só entrar em contato por aqui.


Por que Estados Unidos?

Escolhi Estados Unidos por questão financeira, basicamente. Eu tinha a opção de ir para o Canadá ou para a Austrália, só que o mais viável era Estados Unidos mesmo, por ser mais barato. Mas eu posso dizer que no fundo eu sempre quis morar lá por um tempo e ver de perto como é a vida americana que tanto vemos nos filmes. Muita coisa que eu vivi lá apenas me mostrou o que eu já imaginava e outras coisas me surpreenderam muito e, acima de tudo, me ensinaram demais. Posso dizer com plena convicção que voltei de lá outra pessoa, mais madura, mais segura e hoje consigo ver o mundo de uma forma diferente do jeito que a Fernanda em 2007 via.


Como foram os preparativos para o intercâmbio?

Foi um inferno! Sinceramente, foi a pior parte de todas. Era tudo novo pra mim, eu nunca tinha viajado pra fora, nem sequer tinha um passaporte. Acho que a maioria das pessoas sabe que é uma burocracia sem tamanho, principalmente para os Estados Unidos. Então, enfrentei fila de horas pra tirar meu passaporte e uma fila maior ainda pra entrevista do visto. Tirando o fato de ter que preencher meu “dossiê” com todos os dados sobre toda a minha vida. E acredito que a minha maior dificuldade nisso tudo era por causa do meu inglês. Eu nunca fiz aula de inglês em escolas de inglês. Sempre tive o inglês básico que eu aprendia na escola que, sinceramente, hoje eu vejo que é fraco demais. Tive que fazer uma pequena “entrevista”, que na verdade era uma conversa informal com a coordenadora da agência de lá e travei, errei, não entendi o que ela dizia, foi péssimo. A entrevista pra tirar o visto foi mais tranquila. Não durou nem dois minutos (thanks God!). Eles só me perguntaram o que meu pai e minha mãe faziam aqui no Brasil. Mas o pior de tudo mesmo foram as inúmeras brigas com o meu pai. Eu fiquei impaciente, não via a hora de chegar o dia da viagem, mas também estava morrendo de medo. No meio disso tudo eu descontava nele, ficava sem paciência pra tudo, sendo que eu ainda tinha que terminar um semestre na escola daqui.


Como foi a tua vida de intercambista? As melhores partes e as nem tão agradáveis assim?

Eu me surpreendi com muita coisa. Tive o mínimo de contato com a minha host family antes de viajar. Eu troquei alguns e-mails com a minha host mother, mas nem sequer vi fotos da família (sim, um absurdo e um erro grotesco da agência pela qual eu viajei). Eu morei em Emmet, Idaho. Uma cidade bem pequena, que fica a vinte minutos da capital do estado. Morei com uma família de classe média alta, em uma casa bem agradável, com um backyard gigante, cama elástica, espaço para fogueira e uma quadra de vôlei de areia. O lugar era maravilhoso, uma paisagem de tirar o fôlego, em uma cidade cercada por montanhas. Eu morava com minha host mother, father e sister, apesar de ter mais duas irmãs e um irmão que moravam fora (do estado). Quase todos uns amores, que sempre me trataram super bem, apesar de ter que dividir a atenção deles entre eu e a Ling Ting, uma intercambista de Taiwan, que morava conosco também.

Meus maiores problemas foram no começo. Primeiro, para acostumar com a religião (mórmon) da minha família. Ninguém me obrigava a frequentar a igreja deles, mas eu fiz por uma questão de respeito, afinal eu estava morando na casa deles e comendo da comida deles. Isso não ia me matar. Tirei proveito da situação pra conhecer novas pessoas, outra cultura e religião. Afinal, estava lá pra isso, certo? Minha irmã mais nova não gostava muito de mim. Ela não me tratava mal, mas também não fazia questão de ser simpática. Me sentia super desconfortável, mas depois fiz amigos e ficou tudo bem. Uma coisa que aconteceu que me deixou chocada foi um dos amigos da minha irmã, em uma noite qualquer na minha casa, me chamar de puta. Eu tinha deixado pra lá, se não fosse minha
host mother me chamando pra conversar no outro dia, pedindo pra eu não usar calça legging, porque eles não têm costume. Eu entendi o recado, mas comecei a chorar, porque tudo aconteceu em uma semana e eu não sabia como lidar com aquilo. Contei pra eles o que houve, do menino de chamar de puta, meu pai ficou super nervoso, queria saber quem tinha falado aquilo e etc. Eu não sabia quem era e acabamos enterrando a história.

Depois de uns quatro meses morando lá, acabei acostumando com tudo, com os babacas na escola que não fazem questão de tratar bem intercambista, com o tradicionalismo da família, com a religião da minha família e de outras que acabei frequentando também (
christians, que são para nós brasileiros, os evangélicos). Já me sentia mais solta e meu inglês estava definitivamente melhor.

Eu não conheci muitos lugares, não viajei muito. Fui apenas pra Oregon, Washington, passar
thanksgiving com meus avós americanos. E também fui pra cidades turísticas vizinhas, em Idaho mesmo. Não viajei muito não porque não quis, mas por falta de oportunidade mesmo. Minhas melhores recordações, com certeza, são os momentos com o pessoal que conheci por lá, tanto os intercambistas, como os americanos. Todos os lugares que eu conheci, inclusive o lugar onde eu morei, que apesar de ser pequeno e não ter nada pra fazer, é maravilhoso. Sinto falta de jogar tênis pela escola, por ser algo que eu sempre quis fazer, mas também por todas as pessoas que conheci por causa nas aulas e competições.

E, além disso, tenho um apreço enorme por todas as famílias que eu conheci.
Host parents de outros intercambistas, ou até mesmo a família do meu treinador de tênis, que eram parentes da minha melhor amiga, portanto, vivia enfiada na casa deles. Não posso esquecer das compras. Sim, tudo muito barato. Inclusive meu Rock Band, que eu trouxe dentro da minha mala. (Louca!)

Sinto
muita, muita, muita, eu disse muita falta de ver neve! Vi pela primeira vez, me diverti, montei boneco de neve, esquiei, escorreguei com uma boia gigante no meu jardim, fiz snow angel e achei tudo isso muito lindo!

Eu, infelizmente, não posso citar tudo de ruim e bom da minha viagem, porque é muita coisa. Morei um ano naquele lugar, não tem como resumir tudo em um post. Eu teria que fazer um blog só pra isso. Mas resumindo o resumo, foi sensacional e eu faria tudo de novo se eu pudesse!




Como foi lidar com o inglês?

Foi um fardo no começo! Acredito que boa parte da minha vergonha em conversar com pessoas no começo era por causa do meu inglês. Não por medo de errar, mas por não saber porra nenhuma mesmo. Eu me sentia constrangida, sabe? Ainda mais perto de americanos, que têm fama de serem arrogantes e tal. Uma vez esqueci como falava prato em inglês e travei na hora de falar. Minha host mother perguntou: "o que você andou aprendendo nas suas aulas de inglês?". Traduzindo: "sua vaquinha, você está na minha terra, fale minha língua". Mas detalhes como esse tive que deixar passar, se não eu não sobrevivia. Com uns cinco meses morando lá, eu já estava praticamente falando tudo. É lógico que eu errava, que eu engasgava e tinha minhas dúvidas, mas tinha perdido o medo de falar, então de ali pra frente foi só alegria. Ocorreu até de falar com meu pai (brasileiro) no telefone e esquecer como falava seventeen em português. Foi engraçado!


Quais são os lugares imperdíveis a serem visitados nos Estados Unidos, na tua opinião?

Eu fiquei triste quando vi essa pergunta, porque como falei, não conheci muitos lugares. E se eu falar pras pessoas conhecerem Idaho, elas vão achar que eu estou espirrando, porque a maioria nem sabe da existência do mesmo. Mas dos lugares que conheci, entre Emmet (Idaho), Boise (Idaho), McCall (Idaho), Garibaldi (Oregon), eu diria Boise e McCall. Boise por ser a capital do estado e ter mais lugares pra conhecer e mais coisas pra fazer. McCall por ser uma cidade turística, principalmente no inverno. Cabanas de madeira, chocolate quente, muita neve, festival de escultura de neve, esqui e muitas outras coisas deliciosas como essas.

9 comentários

  1. Morro de vontade, mas, sabe de uma coisa? Tenho certeza que nunca vai rolar de eu fazer intercâmbio. Meus pais não deixam nem eu ir direito pra padaria sozinha, imagina um intercâmbio? :\ pois é
    Adorei a postagem!
    Bjinhows
    http://laialisafa.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Realmente, foi muito bom saber como foi o intercâmbio dela, morro de vontade de fazer, mas como disse a colega de cima, meu pai não me deixa nem ir na padaria, quanto mais para os EUA.
    Hey, tenho um selo pra você. blogcomplicadaeperfeitinha.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Mas esse acaba sendo um dos aspectos mais importantes de um intercâmbio, não, Laiali? Uma oportunidade pra adquirir independência e tal. :) Uma hora ou outra teus pais vão ter que te deixar criar asas, não tem jeito. xD

    Fico feliz que tenha gostado! <3

    :*

    ResponderExcluir
  4. Talvez o que eu disse pra Laiali também sirva pra ti então, Nakami. ^^ E muito obrigada pelo selo! :)

    :*

    ResponderExcluir
  5. Nunca sei bem o que comentar, gosto de todas as histórias de intercâmbios, estou sempre lendo, adorando e sonhando ... \o

    PARA AS GURIAS QUE FALARAM SOBRE OS PAIS:
    Aconselho que se informem muito sobre intercâmbio, tem um destino definido em mente, saibam toda documentação necessária, façam uma estimativa dos gastos e comecem a dar os primeiros passas para o intercâmbio, tenho certeza de que isso ajudaria a mudar a visão dos pais que não deixam 'os filhos irem a padaria' ... acreditem, os pais sabem que um intercâmbio é uma baita oportunidade para os filhos e vendo o empenho dos mesmos eles hão de ceder =D

    ResponderExcluir
  6. Concordo plenamente com o teu comentário, Mônica! Perfeito. :D

    :*

    ResponderExcluir
  7. Muito legal esse post..
    Estou indo para Oxford em janeiro e vou contar minha experiência no meu site:
    www.brunaduarte.com.br
    Entra lá e da uma espiadinha!

    Bjs

    ResponderExcluir
  8. Opa, Bruna, pode deixar que eu vou acompanhar sim! E boa viagem, viu? <3

    :*

    ResponderExcluir
  9. Adorei ler sobre suas experiências, estou pensando em fazer intercâmbio nos Estados Unidos e só sei o inglês super básico, achei que quem só ia pra lá tinha uma certa fluência, isso me animou :)

    Beijin

    ResponderExcluir