Intercâmbio na Alemanha: a experiência da Daniela

28 julho 2014


A Copa do Mundo acabou, a seleção alemã conquistou todo mundo e hoje vocês vão conhecer a história de uma brasileira que fez intercâmbio na terra adotiva de Podolski. Daniela Murata tem 23 anos, nasceu em São José dos Campos e faz faculdade de Design Gráfico em São Paulo. Vocês podem encontrá-la no Facebook, no Twitter, no Tumblr e no Flickr.

Espero que gostem!


Por que a Alemanha?

Na verdade eu queria ir pro Canadá (e até hoje ainda sonho com isso), mas lá por 2006 e 2007 eu estava vendo para fazer intercâmbio. Ir por agências que você paga para a família te receber saía absurdamente caro e, por coincidência, nessa mesma época uma vizinha estava promovendo uma organização voluntária de intercâmbio e eu acabei indo nas reuniões dessa organização, a AFS. Na AFS, você escolhe 3 países de sua preferência e eles te selecionam para um deles. Alguns países têm mais requisitos do que outros, e o Canadá era um deles, só poderiam ir pessoas de até 16 anos e eu tinha 17. Enfim, tive que riscar o Canadá da minha lista. Acabei colocando na lista países que eu pudesse ir logo no começo do ano, o que foi meio difícil. A Alemanha foi a minha primeira opção por ser na Europa e ter a facilidade de conhecer outros países. Outro fator que me fez escolher a Alemanha foi que duas amigas também estavam vendo de ir pra Alemanha também, e se nós três fôssemos escolhidas pra ir pra lá, não nos sentiríamos tão sozinhas.


Como foram os preparativos para o intercâmbio?

Saiu o resultado da seleção de países e nós três fomos selecionadas pra Alemanha. Como nenhuma das três não tinha noção de alemão, procuramos uma escola pra chegar lá sabendo pelo menos nos apresentar. Isso foi segundo semestre de 2007, e eu, sabendo que não iria fazer o meu terceiro colegial no Brasil, comecei a não me importar muito com o colégio e ficava estudando alemão com uma das minhas amigas. No mais, deu tudo certo com os preparativos. A AFS fez uns encontros pré-intercâmbio pra gente já conhecer o pessoal que iria para o mesmo país. No caso da Alemanha, foram quarenta e dois brasileiros, se eu não me engano. Depois foi uma correria para arrumar a mala, até porque né? O que levar em uma mala de 36 kg para um ano?


Como foi a sua vida de intercambista? As melhores partes e as nem tão agradáveis assim?

Digamos que não foi fácil. Eu, que tinha tudo no Brasil e era totalmente dependente dos meus pais, fui parar numa terra que tinha que enfrentar a minha timidez para conseguir as coisas. Fui fazer o meu terceiro ano lá sem saber nada de alemão, em uma cidadezinha de 2 mil habitantes e na casa família de uma família meio estranha. Eles não eram muito comunicativos e bem frios. Mas hoje eu vejo que também não tentei interagir muito com eles e eles não ficavam muito em casa. A filha deles estava morando fora, daí eu me sentia muito sozinha em casa e a cidade também não tinha muitas pessoas da minha idade, ficava andando com uma "prima" de uns 12 anos que achava o máximo eu ser do Brasil.

O pessoal da escola me recebeu muito bem, já que eu era a única intercambista. Mas tive alguns problemas com essa família e fui parar em outra, que me recebeu muito melhor. Eu me esforcei mais para interagir mais com toda a família, que era grande. No total eram cinco filhos, mas só três ainda moravam em casa. A casa deles era enorme, então eu me ocupava bastante ajudando eles. Na escola nova havia outros intercambistas, então a gente se encontrava às vezes. O pessoal da sala foi bem receptivo, conheci pessoas maravilhosas e fiz bons amigos.

Eu acho que a melhor parte do meu intercâmbio foi que eu tive que enfrentar a minha timidez, tive que amadurecer bastante. Foi importante pra mim ter ido pra lá, mesmo que na época eu não achasse isso. Pelo contrário, eu achava que a minha experiência era a pior de todas porque as minhas amigas podiam viajar à vontade e elas tinham aprendido o alemão muito melhor do que eu.

Mas fiz amizades, conheci outros intercambistas e, quando possível, viajava com eles ou com as minhas amigas do Brasil mesmo. Essa viagens são os momentos que eu tenho de recordação, me diverti bastante. Fui meio idiota e às vezes até irresponsável, de beber, passar mal e a polícia querer me levar pra casa. De ir em festivais de música no sul da Alemanha, sendo que morava no norte. SaÍa de madrugada para andar de patins na cidade, andava de três e metrô sem passagem e matava aula pra ir no supermercado comprar chocolates.

Outra coisa que eu adorava era andar de bicicleta, seja na chuva, no vento, na neve, na beira da praia ou no calor de 30 graus. Como a Europa é pequena, vale a pena viajar e conhecer outros países. Os albergues são super tranquilos de ficar, mesmo em quartos de dezesseis pessoas.



Como foi lidar com o alemão?

É uma coisa estranha isso, porque você chega lá e acha tudo bizarro, não entende quase nada e acha que eles falam todas as palavras juntas. Com o tempo, você começa a entender os sons e a reconhecer palavras que você conhece no meio de frases. Mas como eu disse, minhas amigas aprenderem o alemão melhor do que eu, uma delas porque morava com professores que faziam exercícios pra ela e a outra fez aulas de alemão pra estrangeiros. Eu tinha "aulas" na primeira família com a menina que estudava fora, mas nos quatro meses que fiquei lá eu vi ela umas três vezes. Também ia pras aulas de alemão da quinta série, mas mesmo assim era meio complicado pra mim. Mas acho que tive mais dificuldades porque eu comeava no alemão e terminava no inglês e, com isso, os alemães prosseguiam a conversa em inglês, e na escola o povo queria falar inglês comigo, mesmo que eu pedisse pra falar alemão. Um tempo depois que eu voltei pro Brasil, fui fazer aulas e descobri que eu aprendi muito vocabulário, mas minha gramática era um lixo.


Quais são os lugares imperdíveis a serem visitados na Alemanha?

Olha, cada estado alemão tem alguma coisa imperdível, mas se fosse pra indicar um lugar, indicaria Munique. Eu me apaixonei pela cidade! Perto de Munique tem o castelo de Neuschwanstein, que inspirou o castelo da Disney. Também acho Berlim, Colônia, Leipzig e Hamburgo cidades incríveis. Acho que todos que vão pra Alemanha devem comer um kebab dinner, tomar uma cerveja e visitar museus, castelos, igreja, parques e feiras. Sou suspeita pra falar disso, porque eu realmente adoro esse tipo de programa, mas acho que eles têm uma história muito rica e lugares muito bonitos.


O que você tem a dizer para aqueles que sonham em fazer um intercâmbio?

Não desistam dos seus sonhos, corram atrás e não tenham medo do novo. Todo intercâmbio vai ter dificuldades, uns mais que os outros, então não tenham vergonha nenhuma voltar antes do tempo para casa. Mas acho que vale a pena não largar tudo no primeiro perrengue, pode acontecer o que rolou comigo. Na época não foi a melhor experiência, mas hoje eu sei que me fez muito bem. Conseguiu realizar esse sonho? Tente aproveitar ao máximo o país que você escolheu, porque quando voltar pra casa, vai sentir uma puta saudade de tudo. Uma coisa que eu me arrependo um pouco é de não ter sido tão flexível quanto aos costumes por achar tudo novo ou bizarro e não me moldar aos costumes deles logo de primeira.

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