O retorno da realeza ao Rio

17 setembro 2015


Clélia Nóbrega tinha apenas 16 anos quando descobriu que haveria um festival de rock no Rio de Janeiro bem parecido com os que aconteciam no exterior. Fã de artistas como George Benson, Rod Stewart e James Taylor, a adolescente logo tentou convencer seus pais de que precisava ir. Por sorte, essa não foi uma tarefa tão difícil: seu irmão mais velho também gostava do mesmo estilo de música e resolveu fazer companhia a ela.

Muitas histórias parecidas certamente se repetiram ao longo das seis edições nacionais do Rock in Rio. Este ano, o festival completa 30 anos e traz alguns dos artistas que se apresentaram em 1985 - ano em que Clélia e seu irmão estavam na plateia -, como o Queen, que retorna à Cidade do Rock na companhia de Adam Lambert, cantor revelado na oitava temporada do reality show American Idol.

Assim como Clélia, Mario Costa e Paulo Nascentes acompanharam a apresentação do Queen no Rock in Rio de 1985. Na época, era difícil artistas do porte do quarteto britânico virem ao Brasil e, por isso, o show representava a verdadeira realização de um sonho para muita gente. "O dia deles foi um dos mais concorridos. Freddie Mercury deu um show e levou a galera à loucura", recorda Nascentes.

Que o mundo fosse nosso

Festivais como o Rock in Rio também eram novidade no país. Por isso, não havia estrutura suficiente para ele. Coube ao seu criador, Roberto Medina, buscar soluções e ferramentas para tirar o projeto do papel. O resultado foi a Cidade do Rock, construída na Barra da Tijuca, uma das regiões mais isoladas do Rio de Janeiro na época. Quando o evento chegou ao fim, o local foi demolido a mando do então governador do estado, Leonel Brizola.

Depois das edições de 1985, 1991 e 2001, Medina resolveu levar o festival para Lisboa e, mais tarde, Madri. O Rock in Rio só voltou ao Brasil em 2011. Desde então, é realizado a cada dois anos no Rio de Janeiro e na Europa. Este ano, além da sexta versão em solo nacional, o evento foi sediado pela primeira vez nos Estados Unidos, na cidade de Las Vegas. Essa expansão pelo mundo permitiu que outros gêneros musicais pudessem integrar os line-ups.

Gostos compartilhados

Também foi graças ao irmão mais velho que Clélia começou a escutar as músicas do Queen. “Ele gostava muito de artistas britânicos e me apresentou muita coisa boa. Tinha alguns LPs e eu ia de carona no bom gosto”, conta. Para ela, a aparência performática de Freddie Mercury e sua voz “maravilhosa” eram os principais ingredientes que faziam com que a banda se destacasse.

Tanto para Clélia quanto para Mario Costa, o ponto alto da apresentação do Queen no Rock in Rio de 1985 foi a música Love of My Life. “Quando Freddie parou de cantar e estendeu o microfone para a plateia foi arrepiante. Tinha apenas 16 anos, era romântica e conhecia melhor essa música, então me senti parte integrante do show. Saber que eu estava naquela multidão quando eles fizeram o vídeo que está no YouTube é o máximo!”, diz ela.


Carolina Bernardi, Ana Lopes e Bruno Oliveira nem eram nascidos quando o Queen levou a multidão presente na Cidade do Rock ao delírio. “Minha mãe diz que me tornei fã por ela ter ficado vidrada na televisão vendo o show de 1985. No mês seguinte, nasci e, poucos anos depois, me tornei fã. Acho que, de uma forma indireta, eu escutei a apresentação”, brinca Oliveira, que é um dos fundadores do fã clube e portal Queen Net.

Carolina e Ana nasceram cinco anos depois do festival, mas têm contato com o quarteto britânico desde pequenas. “Meu pai sempre gostou de música, então, desde os meus quatro ou cinco anos lembro dele colocando seus discos de vinil para tocar, incluindo os do Queen. Aprendi a gostar da banda e a cantarolar algumas coisas, que nem faz toda criança, que repete a letra sem saber o que significa”, recorda Ana.

Os três devem comparecer ao show do Queen com Adam Lambert na primeira noite do Rock in Rio. E as expectativas não poderiam ser melhores. “Honestamente, não me importo que Brian [May, guitarrista] e Roger [Taylor, baterista] já estejam velhinhos e não tenham a mesma disposição de antes. Só ter a oportunidade de ver eles tocando ao vivo já vai ser o máximo para mim”, afirma Carolina.



Reportagem produzida para a disciplina de Redação IV do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob orientação do professor Mauro Cesar Silveira.

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